Primeiro encontro sobre Ética e Inteligência Artificial em Saúde

Segunda-feira, Março 27, 2023 - 11:41

No dia 21 de março de 2023, pelas 15h, teve lugar o primeiro encontro sobre Ética e Inteligência Artificial em Saúde, uma organização conjunta entre a Faculdade de Medicina, o Instituto de Bioética e o Laboratório de Ética Digital do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. A moderação deste encontro esteve a cargo de João Santos Pereira, Coordenador de Inovação da UCP.

O primeiro painel foi dedicado aos desafios e oportunidades da Inteligência Artificial (IA) para a educação médica, por Pedro Mateus, docente e coordenador do Departamento de Educação Médica da Faculdade de Medicina, que falou sobre a importância dos modelos de educação e aprendizagem, particularmente sobre o modelo de Maastricht, já em uso na Faculdade, bem como das suas mais-valias para a integração das ferramentas da IA, com respeito pela integridade e como elementos de capacitação, eficiência e qualidade. Seguiu-se Manuela Escumalha, do Hospital da Luz, que trouxe os desafios da IA na prática clínica, enquanto médica, assim como as ferramentas éticas disponíveis para a apropriação do seu uso em contexto clínico. Apresentou as suas principais preocupações, mas também as muitas oportunidades que estes sistemas podem significar para a saúde.

O segundo painel teve início com o especialista e coordenador da Cátedra UNESCO em Inteligência Artificial e Realidade Aumentada, o Joaquim Jorge, do Instituto Superior Técnico. Trouxe a sua visão enquanto “mestre-de-obras” da IA, assim como exemplos de ferramentas de IA aplicadas à saúde, particularmente na área da imagiologia. De seguida, William Hasselberger, do Laboratório de Ética Digital da UCP, falou da investigação que tem realizado nesta matéria, especialmente no que diz respeito à construção de algoritmos que possam incorporar elementos de “humanização” dos sistemas de IA. Por fim Mara de Sousa Freitas, do Instituto de Bioética, apresentou um corolário entre as várias apresentações, sublinhando os valores e princípios éticos que devem estar nas matrizes da construção e uso dos sistemas de IA aplicados à saúde, quer na educação, quer para a investigação e prática da medicina. Recordou a importância de envolver diversas entidades nesta discussão.

No final, ficou sublinhado que todos temos um importante papel a desempenhar face às oportunidades geradas pela IA, como agentes e não apenas como recipientes passivos. Face ao potencial desta tecnologia, é fundamental que a investigação possa ser realizada com ética e que a inovação seja assente em tecnologias respeitadoras dos direitos humanos, como reconhece a UNESCO sobre esta matéria.

Este primeiro encontro foi o kick-off de uma série de iniciativas sobre Ética e Inteligência Artificial em Saúde, a serem realizadas na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa no âmbito do Centro Académico Clínico Católica-Luz, que serão anunciadas em breve.